Apresentação

A Educação do Campo é uma concepção de educação em defesa de outro projeto de desenvolvimento, que entenda o campo como lócus da vida em diferentes dimensões e seus sujeitos como sujeitos de direito. “É contraponto tanto ao silêncio do Estado como também às propostas da chamada educação rural ou educação para o meio rural no Brasil. Um projeto que se enraíza na trajetória da Educação Popular (Paulo Freire) e nas lutas sociais da classe trabalhadora do campo (CONEC, 2004) ”.

O modelo do campo que se defende na Educação do Campo se contrapõe ao campo do agronegócio que se atrela aos interesses do capitalismo, sustentando-se da exploração e expropriação dos trabalhadores e trabalhadoras (TAFFAREL, JÚNIOR E ESCOBAR, 2010). Defende a agricultura agroecológica onde a finalidade da produção é a qualidade de vida. O campo é espaço de vida e no Semiárido há especificidades que precisam ser consideradas e tomadas como base para a proposição das políticas públicas.

O tema “Terra, Trabalho e Educação” surge da necessidade do fortalecimento identitário dos povos do campo e das lutas sociais em torno do acesso à terra como bem indispensável e primeiro para os povos do campo; das políticas que reconheçam os povos do campo como sujeitos de direitos assim como do esforço coletivo de pautar a Educação do Campo nas agendas públicas educacionais de territórios e municípios e, ainda, da necessidade de discutirmos o trabalho como princípio educativo e para a emancipação humana.

Nesse sentido, o processo educativo, escolar e não escolar, se articula como estratégia na formação dos povos do campo para transformação social. A escola do campo se assume como importante espaço de mobilização social, assegurando, sobretudo, o acesso ao conhecimento historicamente acumulado, estendendo-o como condição indispensável para a compreensão do lugar que o campo ocupa no cenário brasileiro e, os desafios que estão postos para a emancipação dos seus povos.

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1          Fernandes (2008, p.4) define que o “[...] agronegócio é, portanto, o novo nome do modelo de desenvolvimento econômico desse conjunto de sistemas que contém inclusive a agropecuária capitalista. Esse modelo não é novo, sua origem está no sistema plantation, em que grandes propriedades são utilizadas na produção para exportação [...]O conceito de agronegócio é também uma construção ideológica para tentar mudar a imagem latifundista da agricultura capitalista”.




Justificativa

Entendendo o desafio que é a consolidação da Educação do Campo como política pública e, sobretudo, de fazê-la concreta no sistema público, resguardando as bases, princípios e objetivos sob os quais ela nasceu, entendeu-se ser fundamental, estender para um coletivo maior tais preocupações para juntos, fortalecer as bases teóricas e legais que a sustentam. A Articulação Interterritorial para fortalecimento da Educação do Campo no Semiárido - coletivo de organizações sociais não governamentais e Instituições públicas de Ensino Superior, propõe a realização do I Seminário Interterritorial de Educação do Campo no Semiárido – “Terra, Trabalho e Educação” – com os seguintes objetivos:


a) Mobilizar gestores públicos, organizações sociais, instituições de ensino e pesquisa; professores, pesquisadores, estudantes e movimentos sociais para o debate em torno da política de Educação do Campo na rede pública de ensino, a partir de uma análise crítica de seu percurso, os desafios e as possibilidades dentro dos territórios e municípios.

b) Socializar e dar visibilidade às produções acadêmicas sobre Educação do Campo;

c) Analisar a conjuntura política, econômica, cultural e midiática e seus desdobramentos nos direitos de trabalhadores e trabalhadoras campesinos.

d) Implementação da Política de Educação do Campo nos programas de desenvolvimento do Semiárido



Metodologia

O Seminário correrá a partir de Mesas de Prosa com análises de conjuntura e debates; Roda de Conversa com sessões de comunicação agregando 12 temas; exposição de pôster; Tendas artísticas com música, poesia, teatro, dança, cordel, etc; Uma Feira Cultural que pretende reunir e representar as feiras livres dos pequenos municípios; Um painel de mensagens onde os participantes deixarão suas impressões e aprendizagens e uma ciranda com crianças que ao final do evento, presentearão aos participantes com mudas de plantas do bioma caatinga.



Resultados Esperados


• Fortalecimento da Articulação Interterritorial para Educação do Campo como espaço permanente de reflexão, crítica e proposição de políticas públicas e práticas territoriais emancipatórias;

• Estabelecimento da Articulação Interterritorial para Educação do Campo como coletivo norteador do empoderamento dos Núcleos de Pesquisa e Extensão em Desenvolvimento Terriorial;

• Robustecimento da maturidade epistemológica da Educação do Campo;

• Criação de um canal de interlocução entre Poder Público, pesquisadores, docentes, gestores, trabalhadores e trabalhadoras do campo sobre o lugar da Educação do Campo no Desenvolvimento Territorial.

• Ampliação do diálogo interinstitucional das Instituições de Ensino Superior responsáveis pela formação inicial e continuada de professores e professoras do campo sobre o lugar da Educação do Campo nos seus Projetos Político-Pedagógicos.

• Unificação das ações contra hegemônica no campo da teoria pedagógica;

• Fortalecimento do diálogo com os movimentos sociais;



Insituições Responsáveis

1. Centro Territorial de Educação Profissional do Sertão do São Francisco-Bahia
2. Fórum Territorial de Educação do Piemonte Norte do Itapicuru
3. IF Sertão - PE, Campus Petrolina Zona Rural
4. Universidade do Estado da Bahia - UNEB
5. Universidade Federal do Vale do São Francisco - UNIVASF
6. Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada- IRPAA
7. Movimento dos Trabalhadores Sem Terra - MST
8. Núcleo de Pesquisa e Extensão em Desenvolvimento Territorial - NEDET
9. Rede das Escolas Famílias Agrícolas Integradas do Semiárido – REFAISA
10. Secretaria Municipal de Educação de Coité

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